Você conhece o papel da Psicologia Forense junto aos encarcerados?

Em entrevista, Jessica Soares, psicóloga que atua no sistema penitenciário do DF, fala sobre o acompanhamento psicólogo nas prisões.

Arquivo pessoal

Por Jeanine Bonfo

A psicologia jurídica é uma divisão da psicologia que visa avaliar e acompanhar o comportamento das pessoas que violaram uma ou várias leis que regem a sociedade. Ela é dividida em cinco áreas: investigativa, criminal, penitenciária, policial e forense. A especialista em Terapia de casal e família e psicóloga prisional do sistema penitenciário do distrito federal, Jéssica Soares, nos explica sobre o papel do psicólogo forense.

Qual é a função de um psicólogo forense?

Jéssica Soares: Ele pode trabalhar enquanto perito ou assistente técnico. Se for o perito, é nomeado pelo juiz. O psicólogo forense tem que fazer uma avaliação psicológica da situação no tribunal de maneira imparcial e fazer um relatório com sugestões que podem ser acatadas ou não pelo juiz. O assistente técnico é contratado pelas partes. Ele também tem que fazer um relatório imparcial, mas talvez, não tenha todo acesso às informações que o perito tem. Normalmente ele trabalha junto com a avaliação que o perito está fazendo.

O perito pode trabalhar com famílias dos presos?

Jéssica Soares: Basicamente, o psicólogo é contratado pelo juiz para avaliar o que está acontecendo naquela situação, de disputa de guarda, de separação , de divorcio por exemplo. É neste sentido, não é com a família da pessoa que foi presa. Ele vai conversar com as partes e compreender qual é o problema, ler o processo que está correndo na justiça e elaborar uma proposta orçamentária para o juiz ou pelas partes e vai definir qual trabalho deve ser feito . Têm os peritos da vara de família que já estão contratados pelas próprias famílias .

O percurso escolar pode influenciar as decisões do juiz durante um julgamento?

Jéssica Soares: Na verdade, não acho que existe um preconceito em si de uma pessoa que estudou ou não, mas a pessoa que estudou, que tem educação tem mais recursos para se defender. Ela tem uma defesa boa e acaba não sendo presa. Então, de maneira geral, acaba que acontece o que a gente vê, o cenário hoje, é que na prisão a grande maioria das pessoas presas são negras e pobres.

Como as pessoas costumam se comportar durante seus julgamentos?

Jéssica Soares: Há pessoas que ficam muito seguras porque sentem que têm uma boa defesa, têm pessoas que ficam com medo. A gente tem um preconceito de achar que as pessoas que estão com muito medo são culpadas, não necessariamente. Imagina, você nunca teve contato com a justiça na sua vida e você vai para um julgamento e têm o juiz e os advogados. Uma situação na qual você nunca esteve. Uma situação por si só já gera muito medo. Então a gente precisa tomar muito cuidado quando julgamos uma pessoa que está sentada no banco do réu.

Como é feito o acompanhamento psicológico na prisão?

Jéssica Soares: No Brasil, cada estado tem seu jeito de funcionar. No Distrito Federal, são unidades de saúde que funcionam dentro do presídio. Nestas unidades de saúde, têm médicos, dentistas, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, psiquiatra etc, têm diversas especialidades. Os presos podem pedir atendimento psicológico ou a juíza pode mandar uma decisão para gente; atender um determinado preso. De qualquer forma, quem organiza a pauta do que a gente vai atender ou não são pessoas que atuam na psicologia. Mas o preso pode pedir e a juíza também.

Quais são os critérios segundo os quais o juiz se baseia para recomendar um atendimento psicológico?

Jéssica Soares: Quando a pessoa é presa, ela está na cadeia. Perto dela sair ou em algum momento que a juíza acha importante, ela pode pedir um exame criminológico . É um exame psicológico não obrigatório que os presos fazem. Ele consiste em alguns testes, como a avaliação da personalidade, do humor etc. A partir desta avaliação, o psicólogo faz um relatório para a juíza no qual é inscrito qual acompanhamento psicológico o preso deve seguir, se deverá ter um acompanhamento sozinho ou participar dos grupos temáticos. A juíza pode ler um caso e o considerar mais grave e se achar que a pessoa não está bem, ela pode por ela mesmo pedir um acompanhamento psicológico. Mas, normalmente, o que acontece é que esse pedido vem do exame criminológico.

Como aqueles grupos temáticos são formados? Quais são os assuntos abordados?

Jéssica Soares: São grupos que já existem na cadeia. São grupos que a gente elaborou aqui no Distrito Federal. Há grupos de sexualidade saudável para os agressores sexuais; grupos de autoconhecimento para pessoas de crimes mais violentos, contra a vida; o grupo de drogas para aqueles que têm um histórico de uso de drogas; e um novo grupo que é de arte terapia. Então têm esses quatro temas por enquanto.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *