Empreendedorismo feminino: desafios e oportunidades

As mulheres mudam a realidade no empreendedorismo, geram negócios e conquistam independência

Imagem: Madu Lima

Por Beatriz Duarte

O empoderamento feminino é uma pauta de extrema importância, é por meio dele que vem a transformação na vida de muitas mulheres. No cenário de empreendimento, o público feminino soma com inúmeros desafios, em uma luta de anos para conquistar o seu espaço, para ter igualdade social, em um mundo que o machismo, infelizmente, ainda perdura. 

Além de contribuir para o crescimento da economia e para a criação de empregos, o empreendedorismo feminino transforma também as relações sociais. Segundo pesquisa da Global  Entrepreneurship Monitor, há cerca de 30 milhões de empreendedoras no Brasil, representando 48,7% desse cenário. Maria Eduarda Lima, de 20 anos, faz parte dessa estatística.

Madu Lima, como é conhecida por muitos, começou a empreender aos 18 anos com a ajuda de sua mãe, Rosângela Lima. Inicialmente, a ideia era ser apenas uma loja virtual de prata. Atualmente, possui duas lojas físicas em Brasília. Lima contou sobre a  sua trajetória no mundo do empreendedorismo ao Notícias do Quadrado, e sobre sua vivência nesse cenário, que infelizmente ainda é “liderado” por homens.

Quando e como começou a sua vontade de empreender?

Decidi de fato quando ainda estava na escola, estava meio sem rumo  no final do ensino médio e precisava fazer algo por mim e para mim, daí a loja nasceu. 

Por qual motivo escolheu o ramo das joias?

Eu e minha mãe já éramos muito apaixonadas por acessórios em prata, o meu ramo. Então, logo que pensei em começar a vender algo pensei nisso porque já tinha tudo a ver com o que eu gostava e usava sempre. 

Madu, qual impacto que o seu negócio tem para o mundo feminino?

Acredito que o grande impacto que gero no mundo feminino com meu negócio é a força que nós, mulheres, podemos ter independentemente da idade e das probabilidades, porque comecei bem nova e com isso tive que adquirir muita responsabilidade. 

Você lidou com críticas ao pensar em empreender?

Sempre fui o tipo de pessoa que só levo para mim algo que irá acrescentar na minha vida. Então, nunca deixei de sentir críticas que só estavam lá para me desanimar e me parar. Ignorava e continuava. 

Embora as mulheres ainda sofram com as heranças de um sistema patriarcalista, na sua opinião, a mulher conseguiu aumentar seu espaço na sociedade com o empreendedorismo?

Acredito que sim, que cada vez mais mulheres têm conquistado espaço no empreendedorismo, mas que isso não torna menos difícil a jornada. Quanto mais espaço conseguimos, mais o patriarcado quer nos parar. 

Com a sua experiência, quais os principais desafios do empreendedorismo feminino?

Para mim, os maiores desafios são persistência e foco nos objetivos, porque os problemas e o desânimo sempre vêm e é aí que você tem que se mostrar forte e disposta a continuar. 

Ao decidir empreender, a mulher se depara com outro desafio: a falta de apoio dos familiares. Você teve esse apoio?

Eu me sinto e sei que sou muito privilegiada em dizer sobre, mas minha família sempre me apoiou muito em todas minhas decisões. Sou honrada e valorizo muito isso, pois sei que não é a realidade da grande maioria das mulheres que estão no mesmo universo que eu. Faço valer a pena cada investimento em mim. 

Os homens, no ambiente corporativo, tendem a ser mais competitivos. Já as mulheres, no mesmo ambiente, tendem a ser mais colaborativas. Você sente que já passou por essa situação? Se sim, como lidou?

Homens têm a necessidade de estarem acima de uma mulher em determinadas situações, isso é uma coisa bem “estrutural” e é exatamente por isso que realizo meu trabalho sempre com outras mulheres, como minha mãe, tias e amigas. Já passei por algumas situações nas quais não fui vista de forma responsável e capaz de resolver determinada questão por ser mulher e ainda muito nova. Por várias vezes, pedi que meu pai fosse resolver situações para mim, porque quando o viam como homem e sendo mais velho, até a forma de falar já mudava. Lamentável, mas bem real. 

Na pandemia, a alta no número de vendas onlines foi gritante. Antes de ter a sua loja física, você conseguiu se adaptar diante das medidas de isolamento social?

Eu sempre digo que o fator mais importante para o meu crescimento foi a pandemia, tive uma visibilidade enorme, realizava por dia uma média de 12 a 15 entregas dentro de Brasília, só por isso consegui juntar um capital para abrir minha primeira loja do zero. A pandemia prejudicou inúmeros empresários, mas, em contrapartida, alavancou muito o e-commerce e as vendas por meio do Instagram e outras redes. Fui um desses casos.

Você efetuou estratégias de inovação nos negócios durante a pandemia? Se sim, quais?

Quando a pandemia começou, eu tinha um pouco mais de 10 meses de loja, ainda era um “bebê” dentro daquele furacão que vivemos, não tinha muitas estratégias em vigor. Observei a oportunidade de crescer e agarrei, criei coleções, fiz editoriais para minha marca, trabalhava sem hora para parar e assim tudo foi acontecendo. 

Quanto à comercialização dos seus produtos, você usou as redes sociais, aplicativos e a internet em prol dos seus serviços?

A maior e única ferramenta que uso e usei desde quando comecei a loja foi o Instagram.

O que te inspira no empreendedorismo feminino?

Me inspira muito aquela sensação de empoderamento, independência e solitude. Acredito que ser mulher e empreender nos mostra um poder que a sociedade tenta tirar de nós diariamente. Mulheres são muito mais fortes, resilientes, colaborativas e todas as corporações que incluem grandes mulheres em seus negócios obtêm muito sucesso. Está no nosso DNA, exatamente por isso que a sociedade patriarcal sempre diminui e coloca as mulheres em um papel de dependência dos homens, porque quando uma mulher se levanta, não sobra um homem para contar história. 

Se você pudesse mudar algo nesse ramo, o que seria?

Mudaria a rivalidade e competição geradas em nós, mulheres, desnecessariamente. Também a forma que a sociedade nos enxerga para uma forma respeitosa, visando nossa capacidade de ser e fazer, sem diminuir o que somos só por sermos mulheres em um mundo tão machista. Faria também que tivessem uma visão mais solidária conosco, muitas mulheres empreendedoras também são mães em tempo integral, são esposas, são estudantes. Não é uma jornada fácil e muitas se encontram em uma posição de cobrança grande.

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