A economia criativa como ferramenta de mudança social

Mercado que se utiliza de negócios criativos para o desenvolvimento econômico e social será usado como nova ferramenta de estudo  

Imagem: Gabriel Jabur/Agência Brasília

Por Amanda Queiroz

O mercado da economia criativa compreende  todo o negócio que se utiliza da criatividade, conhecimento e capital intelectual para criar produtos e serviços. São atividades, ideias e processos que exploram o valor econômico da imaginação humana e  que apresenta ramificações nas quais o ato criativo e o desenvolvimento da economia convergem.

Encarado como a economia do século XXI, esse mercado visa atender às necessidades dos nossos tempos e oferece soluções criativas que contribuem com o desenvolvimento da sociedade. 

Com o intuito de realizar um estudo sobre diagnósticos, consumo e estruturação sistêmica, a Universidade Católica de Brasília, a Secretaria de Estado de Turismo do Distrito Federal (SETUR-DF) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF) firmaram parceria para avaliar a economia criativa no DF. 

Para esclarecer as dúvidas relacionadas ao projeto, o professor Alexandre Kieling, um dos coordenadores do estudo, nos concedeu uma entrevista para esclarecer o que vai ser desenvolvido na pesquisa.

O que é o projeto? 

É uma pesquisa que tem várias etapas e frentes, com abordagens diferentes, sendo que o objetivo central é desenvolver um panorama da economia criativa do Distrito Federal. 

Vamos trabalhar com um olhar horizontal e um controle de todos os segmentos da economia criativa em todos os seus aspectos de produção, circulação e consumo nas regiões administrativas do Distrito Federal. Então não é apenas aquelas que já têm uma expressividade, que se têm um conhecimento maior, mas também nas outras em que há movimento criativo. 

Com qual intuito surgiu a ideia de desenvolver esse projeto de pesquisa e qual o seu objetivo?

Se pretende com essa pesquisa, primeiramente, com uma abordagem de conhecimento dos sistemas de produção dos atores que são envolvidos nesse sistema de produção, diagnosticar as competências e as vocações que já estão instaladas nas regiões administrativas. A partir daí, gradualmente enxergar o que há de estruturado, o que há de ser estruturado, o que há de desestruturado e o que há de potencial. O objetivo do projeto é conseguir ter as informações precisas sobre a situação da economia criativa no Distrito Federal, no horizontal pela produção, depois a outra é abordagem de consumo tentando identificar como que se dá a circulação, quem consome como consome, o que consome, quais são os padrões e observando as tendências. E o último é exatamente um prognóstico com essas informações todas, com esses dados todos, o que que se pode fazer entre política pública, o que se pode estabelecer de investimento privado, quais setores são os setores mais pujantes e quais setores precisam ser alavancados.

Qual a importância desta iniciativa para a Universidade? 

A Universidade cumpre seu papel de ator econômico, ator social e ator cultural. Ao fazer uso de sua competência que é a capacidade de pesquisar, de produzir conhecimento e de formar pessoas, ela oferece esses dados, a análise crítica, proposições e perspectivas para os entes públicos e privados.

O que será feito com os resultados obtidos?

Eles vão se apresentar em prognósticos para o setor público e para o setor privado. Importante dizer que esse projeto está sendo desenvolvido por uma parceira e com recursos de emendas parlamentares. Então acabamos por ter o envolvimento de vários atores dispostos a fazer esse raio x, a partir dele, será feito o seu diagnóstico que vai envolver ações práticas concretas que estimulem o desenvolvimento, a articulação, a organização e a sistematização da economia criativa no DF. 

Qual a importância da Economia Criativa no DF? 

Inevitavelmente a importância da economia criativa deve-se porque ela envolve processos horizontais, ela pega vários segmentos, vários atores, vários ofícios, várias competências e várias possibilidades, que vão desde o desenvolvimento de software até a atividades de artesanato, culinária, moda e atividades culturais.

O senhor acredita que a pesquisa pode influenciar a ação do Governo Federal?

Seguramente ela é um instrumento à disposição do governo e ela vai se concentrar no DF, então ela é uma disposição das estruturas de estado do DF.

De que modo essa pesquisa vai impactar na vida da população?

A medida em que os sistemas econômicos são organizados, estruturados em cadeias produtivas, que envolve e mobiliza os atores de um território, acaba por promover o desenvolvimento econômico, social e cultural, e isso produz resultados positivos.

Ao colocar esse estudo em prática, quais são os desafios a serem enfrentados?

Os desafios são de toda a pesquisa, pois ela possui grande envergadura, onde vamos levar dois anos para desenvolver. São três frentes e estamos articulando recursos para desenvolver uma quarta frente, que é a frente mais complexa, que é apresentar uma proposta de clusterização. Estamos buscando recursos em outras fontes de fomento e que amplifiquem as dimensões desses dados.

Sabemos que a cultura no DF ainda é elitizada, principalmente nos últimos tempos com a alta dos preços em diversos âmbitos da nossa sociedade. O desenvolvimento desta pesquisa permitirá que os segmentos da economia criativa como as artes cênicas e o audiovisual se tornem mais acessíveis para a população?

À medida em que você trabalha em todas as regiões administrativas, você dá subsídios do que pode ser feito em cada região que amplie a capacidade e a capilaridade, não só dos produtores culturais assim como dos consumidores, de possibilidades culturais e criativas. Ao desenvolver essas ações, é uma cadeia que vai ser beneficiada, estimulada, induzida e articulada, que vai promover o desenvolvimento e o crescimento da economia criativa.

O estudo, que reúne professores, pesquisadores, mestrandos e estudantes de iniciação científica da Universidade Católica, será realizado por dois anos. A execução da pesquisa é uma antiga demanda do trade turístico, reforçada pela Câmara de Economia Criativa da Fecomércio e por todos os setores nela representados. A proposta efetiva uma articulação e aproximação do setor produtivo, do setor público e setor acadêmico. 

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