Mês de novembro é dedicado ao Dia Mundial da Prematuridade

Por Áurea Batista e Glenielle Alves

Segundo definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), considera-se prematuro o bebê nascido com menos de 37 semanas de gestação. No Brasil, a média de nascimentos prematuros está em 11% por ano, segundo Miriam Santos, pediatra e coordenadora das políticas de aleitamento materno e do Banco de Leite Humano do DF. Os recém-nascidos antes do prazo, geralmente menores e mais leves, exigem cuidados redobrados. Para ampliar a conscientização sobre esse tipo de nascimento, foi criado o Dia Mundial da Prematuridade. 

Em 2008, a data foi estabelecida para 17 de novembro pela Fundação Europeia pelo Cuidado dos Recém-nascidos (EFCNI, na sigla em inglês). As campanhas se estendem pelo mês inteiro, que fica conhecido como novembro roxo. Nesta edição, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal destaca as consequências do nascimento prematuro e a importância da proximidade entre a mãe e o bebê. Miriam Santos ressalta que a média de prematuridade do DF está em 12%, maior do que a média nacional.

De acordo com o obstetra e professor da Universidade Católica de Brasília (UCB), Fábio Passos, a maioria dos partos prematuros ocorre por dois motivos: contrações antes do tempo estimado; ou indicação médica por risco de morte para a mãe, geralmente por pré-eclâmpsia grave – hipertensão arterial após a 20ª semana de gestação, um dos principais fatores de morte materna no mundo. O médico ressalta a importância do pré-natal para evitar a mortalidade tanto da mãe quanto do bebê.

“Dependendo da causa [da prematuridade] eu tenho estratégias ao longo de um pré-natal bem executado,” explica. No caso da pré-eclâmpsia, o risco pode ser identificado no primeiro trimestre, por meio de sonografia e exame de sangue. Com o tratamento antecipado, é possível mudar o risco, de forma que a paciente talvez nem chegue a ter a doença. O pré-natal também permite identificar fatores como parto prematuro prévio ou encurtamento do colo ao longo da gestação.

A pedagoga Rayane Talita, de 28 anos e moradora de Alexânia – GO, teve a filha aos seis meses de gestação. Ela conta que, desde o quinto mês, sofria com episódios de pressão alta. “Quando entramos na 31° semana, a minha placenta se soltou em casa. Foi um desespero total,” revelou. A bebê nasceu saudável, mas precisou ficar mais de 1 mês na UTI do Hospital de Anápolis por conta do peso baixo. “A Anna Luiza nasceu com 1.490 kg, 42 centímetros. Ao todo foram 36 dias no hospital para que minha filha ganhasse peso”.

Quanto mais prematuro, maior a chance de mortalidade pós-nascimento e de sequelas no sistema nervoso central. Também é maior o custo gerado no sistema de saúde por motivos de internação e tratamento. Fábio Passos ressalta a média de aumento em 3% de chance de sobrevivência a cada dia de gestação. “Isso é o que justifica o tratamento para empurrar a gestação adiante. Diz-se também que cada dia dentro da barriga é igual a menos 3 dias na UTI”.

“Quando não havia tecnologia de UTI neonatal, muitas crianças morriam. Com o advento dessa tecnologia, há todo o aparato para manter as crianças vivas e para fazer o parto buscando salvar a vida da mãe.” Fábio Passos, obstetra e professor da UCB.

Moradora de Alexânia – GO, Neuza Alves Xavier também teve a filha com seis meses de gestação. Aos 73 anos, ela relembra a experiência: “Pra mim, foi muito difícil, mas no fim deu tudo certo. Ela ficou 45 dias no hospital e eu só fui vê-la depois de 40 dias. Tinha a segurança de que ela não ia escapar…”. A filha, Júlia Xavier, tem hoje 53 anos. Júlia conta que convive com dificuldades cognitivas e nunca pôde ser mãe, devido ao desenvolvimento insuficiente do útero e ovários. “Ficou um pouco dessas sequelas, mas eu levo uma vida normal”, relata.

De acordo com Passos, as principais complicações agudas da prematuridade são dificuldade para respirar e problemas de formação do intestino. No caso da prematuridade extrema, podem surgir paralisia cerebral e sequelas visuais. Sobre a alimentação dessas crianças, Passos diz que alguns bebês muito prematuros precisam de nutrição pela veia, mas a maioria responde bem ao leite materno.

Segundo Miriam Santos, o melhor alimento para todos os bebês é o leite materno. E no caso do bebê prematuro, essa alimentação é fundamental para reforçar a imunidade e desenvolver o sistema digestivo. Ela ressalta que o leite da própria mãe deve ser priorizado, mas, “na falta desse leite, o banco é essencial”. No mês de outubro, o banco registrou queda nas doações.

Por falta de leite no banco, a dona de casa Luciene da Silva Aguiar, 41 anos, precisava tirar leite a cada 3 horas para alimentar sua filha na UTI, em 2011. “Ela nasceu com 7 meses e meio. Devido a uma complicação, eu tinha perdido líquido e minha pressão estava muito alta”, conta Luciene. Elizabeth permaneceu internada por dois meses e teve complicações no coração, relata a mãe, e aos 3 anos de idade passou por cirurgia. Por conta dos medicamentos, Elizabeth desenvolveu diabetes tipo 1 e, hoje, aos 10 anos, recebe tratamento com insulina.Para se tornar uma doadora, basta a mulher armazenar o leite e agendar a coleta, feita à domicílio pelo Corpo de Bombeiros Militar (CBMDF). Ela também pode se cadastrar no site Amamenta Brasília, que oferece instruções sobre como armazenar o alimento e permite agendar a coleta da doação de forma on-line. O agendamento também está disponível por telefone, no número 160, opção 4.

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