Abrigo: primeira ou segunda casa para animais de estimação?

É o ponto de encontro de várias raças. Essas criaturas com histórias diferentes vivem juntas; algumas acham uma família, outras têm menos sorte

Imagem: Jeanine Bonfo

Por: Jeanine Bonfo

Criado em 2005 por Aucilene Arruda, o abrigo Flora e Fauna se situa no Gama, precisamente no Núcleo Rural Ponte Alta Baixa e protege hoje mais de duzentos animais, cães e gatos. Esta pequena fauna consome por dia nove pacotes de ração, de vinte e cinco quilos cada um. Ou seja, mais de seis toneladas por mês. De acordo com as informações do abrigo, no início, eles aceitavam somente os animais em situação de risco que lutavam para sobreviver. Acolhiam animais em diferentes situações. Porém, no momento, o abrigo encontra-se lotado. O vice-presidente do abrigo, Aliton Fabiano, afirma que não é possível receber mais animais. Porém, há algumas exceções. “Por exemplo, um cachorro atropelado que fica dias sem ninguém fazer nada por ele. O filhotinho que está numa BR e que pode ser atropelado. Quando uma pessoa entra em contato comigo e diz que não quer mais ficar com seu cachorro; é um outro caso. Tentamos conscientizá-la que o animal não é um objeto e que a responsabilidade é sua e não do abrigo”, explica.

Como os homens, os animais enfrentam algumas dificuldades devido à pandemia. Os donos de alguns faleceram e ninguém, mesmo os parentes, não querem cuidar deles. Outros proprietários abandonam seus animais na rua ou amarrados aos portões das ONGs por medo de serem contaminados por eles ou porque não têm mais como sustentá-los. A estudante de veterinária da Universidade Católica de Brasília (UCB), Maria Fernanda, tem três gatos e sete cães. Ela não teve medo que seus animais pegassem a Covid. “A chance disso acontecer é muito pequena. Nunca me preocupei muito com isso, até porque eu sempre saio quando a rua está vazia e como é ao ar livre, é mais difícil ainda.” Segundo a lei federal nº 9.605/98, abandonar ou maltratar um animal é considerado crime com pena de um ano de detenção. Uma nova legislação, a lei federal nº 14.064/20, sancionada em setembro de 2020, aumentou a pena de detenção para quatro anos.

Segundo Aliton, a adaptação do animal depende da situação na qual ele estava. Um animal que vivia na rua, comendo, dificilmente terá mais facilidade para se acomodar, ao contrário daquele que tinha tudo e que foi abandonado. “ Para o animal que chega da rua sem nada, a adaptação é mais tranquila, porque ele tinha que lutar para comer, para ter um lugar para dormir. Quando o animal teve tudo e no fim é abandonado na porta do abrigo, o lugar se torna para ele um canto ruim, porque ele vai ter que dividir tudo. Às vezes, até o nome que ele tinha, perde. Então, a adaptação para ele é bem complexa”, diz Aliton.

Imagem: Jeanine Bonfo

Socialização
Como o ser humano, os bichos têm suas próprias características. Logo, quando o animal entra no abrigo, não está integrado aos demais. Ele fica isolado em locais para que seu comportamento seja observado para saber se ele é sociável ou não. Têm animais que devem ficar separados, caso contrário ele agride os outros. Para melhorar sua socialização, adestradores são solicitados. “As pessoas acham que o abrigo é um depósito, onde podem deixar os animais à vontade. Você tem que fazer um estudo, ver o comportamento, em qual local colocar o animal. Se não você não está dando uma qualidade de vida, você está só pegando o bicho, tirando-o de uma situação ruim, colocando numa outra. Não se misturam os mais agressivos com os docentes”, aponta Alinton.

Como ajudar
O abrigo aceita doações de rações que podem ser realizadas por meio dos pontos de coleta, localizados na SQS 108, próximo da loja Petz, na Asa Sul; e no Império Pets, no Pistão Sul, em Taguatinga. Para quem deseja visitar o Flora e Fauna, o local está aberto todos os dias, de meio-dia às dezessete horas.

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