Paralisação de seis meses do Metrô-DF é a mais longa da história

A última greve de operários durou 77 dias. O Tribunal Regional do Trabalho julga o caso, mas sem data de conclusão.

Imagem: Agência Brasília

Por Maria Luisa Martins

Trabalhadores da Companhia do Metropolitano do Distrito Federal anunciaram o início da greve em 19 de abril deste ano. No último sábado completaram-se cinco meses desde que os assalariados reivindicam na justiça pela manutenção do vale-alimentação, plano de saúde e outros benefícios. 

Após o corte de direitos defendidos pelo Acordo Coletivo de Trabalho, uma assembleia foi convocada no começo de abril, mas nenhum acordo foi feito. Segundo a diretora de comunicação do SindMetrô, Meiry Rodrigues, a empresa responsável pelo metrô segue contra a preservação dos direitos adquiridos ao longo dos anos. 

“A nossa greve foi motivada justamente porque a empresa não quis manter o nosso acordo coletivo. Sendo que todas as cláusulas e direitos já estavam resguardados no orçamento” disse Rodrigues.

Em nota oficial, o Metrô-DF informou que os benefícios dos metroviários foram apresentados em todas as propostas de acordo coletivo que foram encaminhadas à entidade, inclusive mantendo valores. Desde abril, os funcionários estão sem plano de saúde, vale-alimentação e vivendo com apenas o salário base e descontos referentes aos dias de paralisação.

Devido à pandemia, a Justiça Federal ordenou a frota de no mínimo 80% em horários de pico e 60% em horários com menor movimento, durante a greve. Em tempos normais, era por direito os grevistas atuarem com apenas 30% da frota, levando em consideração que o sistema metroviário é considerado serviço essencial. 

Em 16 de setembro, o Ministerio Púbico do Trabalho (MPT) negou o pedido do Metrô-DF para que a greve seja considerada ilegal. Para o MPT, as cláusulas propostas pelo sindicato não poderiam ter sido cortadas. Com isso, as horas interrompidas serão ressarcidas pelo GDF.

O dissídio coletivo será julgado pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Ambos lados dependem da decisão jurídica para alcançar um entendimento. Segundo Rodrigues, o relator responsável já possui o parecer e o julgamento pode ter início a qualquer momento.

Impacto na população

Cerca de 160 mil pessoas utilizam os trens como forma de locomoção. Na última pesquisa de satisfação patrocinada pelo Metrô-DF, em 2018, 72,9% dos usuários aprovaram o atendimento dos funcionários da empresa e 91,9%  se mostraram favoráveis à manutenção higiênica do local. 

Para a Eduarda de Sena, usuária do metrô há anos, a greve fez com que seu cotidiano fosse alterado. “Eu tenho chegado mais tarde no trabalho e saio de casa mais cedo, para não perder o metrô. Por conta dessa dificuldade do tempo [que foi estendido] entre um metrô e outro.” explicou.

De 29 estações apenas 27 estão em funcionamento. De 32 vagões de trens, apenas 24 fazem frota. Durante a greve, somente 19 trens operam em dias úteis e nos horários de pico. Durante o fim de semana e em horários de pouco fluxo, esse número diminui ainda mais.

Privatização

O Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP) foi aprovado na primeira fase pelo corpo técnico, em maio. Em julho, o relatório técnico foi aprovado e encaminhado para a Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob). Assim que concluído, dependerá do TCDF para que ocorra a liberação da venda a empresas privadas.

“Isso vai em uma linha que insisto bastante: o metrô precisa de muitos investimentos, e nós só vamos conseguir fazer esses investimentos a partir da concessão”, disse o governador Ibaneis Rocha (MDB) em discurso oficial

“Aguardamos a liberação do Tribunal de Contas para que a gente possa fazer, no modelo de concessão, a entrega do metrô à iniciativa privada. Isso vai trazer melhorias para a população que mais sofre com essas greves anuais dos metroviários do DF”, afirmou o governador.

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