No meio da Cultura tinha uma pedra

Por: Glenielle Alves

A Cultura e a  Administração Pública deveriam ser indissociáveis, como o arroz e o feijão são para nós brasileiros, mas há muitas hipocrisias para contar. Há um mês o Espaço Galpão do Riso  (centro de pesquisa, difusão e ensino da arte), localizado na Samambaia, recebia uma ordem de despejo do DF. Quem diria que um terreno em desuso geraria uma repulsão contra a expressão cultural que, com certeza, não é motivo para o riso. 

É como uma vez Tico Magalhães, fundador do grupo de cultura brasiliense “Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro” (2004), disse…  “tem um lado que nos entrega prêmios,  referências como na UnB que valorizam o nosso trabalho e o outro lado que quer tirar o que temos”. Aqui o vilão é a Terracap que, a todo custo, tenta tomar a Casinha do Seu Estrelo na 813 sul no Plano Piloto. São Histórias diferentes para um mesmo meio termo, a Administração suprimindo a dança, o teatro e a música. Soa familiar?

O tempo também é um quesito a considerar. Deram ao Galpão 72 horas de tolerância. A palavra mais adequada seria, na verdade, intolerância para 18 anos de trabalho. Entretanto, dois dias depois (27) um novo prazo foi estipulado. 60 dias está bom? Há espaço para o diálogo até lá, eles disseram.

Sabe o que ambos os casos têm em comum? Eles resistem à burocracia da  pedra que ainda permanece no caminho. Essa não será a última ofensa, porém continuam a defender os seus terrenos que, sinceramente, valem mais que qualquer ânsia.

Eles defendem seu espaço e não estão sozinhos. Juntaram pessoas de norte a sul  para repudiar uma Administração  que agride a educação da arte. Como um só organismo emanam FICA GALPÃO. Agora há uma inversão curiosa: nós somos a pedra no sapato daqueles que, com uma vara curta, perturbaram a  onça.

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