Conceito e Técnica: o habitat multicolor de Taigo Meireles

 Mestre em Artes Visuais pela UnB discute o processo de integração da exposição de arte “IMAGO”

Por Glenielle Alves

O pintor brasiliense Taigo Meireles, prestigiado pelo Poder Executivo, está com a exposição gratuita “IMAGO”, que durará até 19 de setembro, no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), localizado na Asa Sul. As mais  de 34 obras  dão continuidade a sua coleção “Ecrã” que explora a fusão entre a tradição e a  pop arte contemporânea. Suas releituras expõem a discussão sobre a overdose de imagens a qual  a sociedade está sujeita. 

A palavra “Ecrã” vem do português de Portugal que equivale ao termo “tela(s)” e o artista explora esse polifonismo na exposição. Segundo Meireles, a composição das telas, principalmente das cores ácidas, exprime os elementos comuns da era digital. “A exploração das cores é no sentido de alcançar essas imagens que circulam nas animações de cinema, na publicidade e nos painéis luminosos que fazem parte do cotidiano. Tentei trazer um pouco desse brilho de cor, luminosidade, a qual estamos acostumados pelo manuseio de laptops, tablets e celulares”, afirmou. 

Ao analisar as obras, o doutor em história na Universidade Federal de Goiás (UFG), Eduardo Barbaresco, enfatiza o sinestésico, combinação de sensações, “fantástico” que as tonalidades proporcionam enquanto o artista se deleita nas formas individualizadas que o circunda . Em outras palavras, é a “não objetividade da arte”, já que apresenta elementos conhecidos pelo público, mas de outra maneira. É o que Taigo denominou como “profundidade” em seus trabalhos. “Eu aplico mais uma camada de sentido entre aquilo que vai de um canal ao outro”, concluiu.

O “Ecrã” estabelece a unidade que Taigo Meireles busca para o movimento de conciliação entre artes e não há um favoritismo de pinturas no “IMAGO”. Mas o tríptico de São Jorge de fundo branco, de acordo com o artista plástico, é expoente significativo. “A série de São Jorge está carregada desse conceito [Ecrã]. São muitas camadas que a imagem adquiriu durante o trânsito de mídias pelas mídias. Acho que ela pode representar muito bem”, salientou.

Um dos visitantes do “IMAGO”, o modelo Eddie Barbosa, definiu a exposição como um “vínculo encantador das artes modernas”. “Suas obras me fazem ter nostalgia ao lembrar das obras de Van Gogh, mas numa versão moderna e atual “, afirmou.

Questionado sobre novos trabalhos, Meireles confirmou estar na elaboração de pesquisa para um conjunto de pinturas sobre as visitas do Papa João Paulo II ao Brasil, que no momento, é o seu foco principal. Mas conta também com o desenvolvimento do projeto “Lázaros” e “Altares”. A pandemia da Covid-19 embargou duas exposições previstas para 2021, o “Projeto Literatura”, que ilustra 15 personagens da literatura, e “Incorpóreo Corpo Infinito”, que já está pronta e seria apresentada  no Centro Cultural  TCU.

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