Alto preço do combustível faz brasilienses optarem por outros caminhos

Moradores da capital do Brasil sofrem com a alta da gasolina, que chegou à 6,40 em agosto

Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Por Beatriz Duarte

Após a incidência do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) sobre o litro de combustível, consumidores registraram crescimento do preço da gasolina nos postos do Distrito Federal. Devido ao preço elevado, o litro do combustível está sendo vendido em vários postos com valores acima de R$ 6,40.

Vale ressaltar que apenas neste ano, o valor da gasolina já sofreu alta de 51% e a probabilidade é que os preços se elevem cada vez mais. Isso acontece porque o petróleo teve uma enorme alta nos últimos meses, chegando a superar o valor de 60 dólares e ainda não há um aumento significativo de produção que justifique uma queda no preço.

Outro fator para esse aumento é o câmbio no Brasil que está impulsionando a inflação no país. Apesar da situação das contas externas dar sinais de que a moeda brasileira poderia valorizar em 1 real, portanto o dólar cairia, não é o que tem acontecido. O dólar está se sustentando em R$5,30 em função da crise política e institucional. A insegurança gerada pelo ambiente político está impactando diretamente os indicadores financeiros e, consequentemente, a vida das pessoas.

Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Devido aos sucessivos aumentos no preço, rodar com gás natural veicular (GNV), passou a ser uma opção cada vez mais coerente e atraente para o brasiliense. Donos de oficinas que fazem a instalação do equipamento afirmam perceber um incremento expressivo na demanda dos últimos meses.

Gás natural veicular (GNV) é um combustível disponibilizado na forma gasosa. Diferencia-se do gás liquefeito de petróleo (GLP) por ser constituído por hidrocarbonetos na faixa do metano e do etano, enquanto o GLP possui em sua formação hidrocarbonetos na faixa do propano e do butano.

A capital do país tem três oficinas autorizadas pelo Inmetro a instalar o kit gás, uma delas é de Carlos Alexandre Pereira e fica em Águas Claras. Segundo o empresário, nos últimos meses, ele converte uma média de três carros por dia para rodar com GNV. “Tendo material, fazemos uma média de três a quatro carros por dia. Ano passado, demorava um mês para fazer um”, lembra Carlos.

Esta reportagem ouviu cerca de 50 pessoas que residem no DF, que usam ou usavam seus carros para atividades pessoais, ou profissionais. O intuito é de entender a insatisfação da população com a alta no combustível, que aflige diversos jovens e famílias.

Cerca de 58% dos entrevistados continuaram usando seus locomovíveis para uso pessoal ou de trabalho, e 42% optaram por usar outros meios de transportes (ônibus, bicicleta). Apenas 3% decidiram instalar GNV. 

Taísla Poeta, de 20 anos, afirma que, para ela e sua família, não há outra maneira a não ser o uso do carro, pois mora em um lugar de difícil acesso para transporte público. “Estou gastando mais do que deveria e uma parte que era mínima para o combustível está ocupando bastante do salário”. A estudante afirma que o jeito encontrado foi abastecer no Goiás, onde o valor por litro do combustível está custando R$ 6,27. “Agora abasteço no Goiás sempre que vou, pois, é o lugar que mais acho em conta.”, afirma.

Para João Pedro, estudante de Engenharia Eletrônica, a alta no preço do combustível afeta o uso do carro. O estudante ressalta que passou a usar meios de transporte público em 80%, pela incapacidade de encher o tanque de seu automóvel. Quanto à instalação de GNV, o jovem concluiu que, para ele, não é a melhor opção. “GNV compensa só para quem roda muito. Eu não colocaria, a instalação deste meio resultaria em manutenções futuras.”, conclui.

Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), disse após reunião do Fórum dos Governadores, que tentar culpar os estados pelo aumento dos combustíveis é uma falácia. Ibaneis defende que o clima político no país gera efeitos negativos na economia. “Com o dólar mais caro, o preço dos combustíveis tem subido”, afirmou o governador.

Projeto de Lei

O Governo do Distrito Federal enviou à Câmara Legislativa do DF (CLDF) um Projeto de Lei (PL) que prevê a redução da alíquota de ICMS cobrada sobre os combustíveis. A proposta foi aprovada na quarta-feira, dia 15 de setembro. O foco é que os valores caiam 3 pontos percentuais em três anos, a contar de janeiro de 2022. Assim, o tributo praticado no Distrito Federal voltará ao patamar praticado há seis anos e ficaria no menor percentual do imposto cobrado nacionalmente.

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