“Paisagem como narrativa” é tema do 2º Colóquio Internacional de Fotografia e Imagem

Palestras, debates e exibição de obras foram organizados pela Universidade de Brasília (UnB) em parceria com a Universidade Católica de Brasília (UCB) e o Fundo de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF)

Por Áurea Batista

O tema do 2º Colóquio Internacional de Fotografia da Universidade de Brasília é “A paisagem como narrativa: quando a imagem inventa o espaço”. Esta edição traz palestrantes internacionais e, além da fotografia, obras de cinema, vídeo e instalações. A conferência de abertura tem a participação do professor François Soulages, da Université Paris 8, autor de livros sobre fotografia publicados no Brasil, como Estética da Fotografia: perda e permanência. “Muito do que se produz no meio acadêmico termina circulando mais dentro desse mesmo meio e o Colóquio é o momento de trocar ideias e divulgar pesquisas”, diz a professora da UnB Susana Dobal, organizadora do evento e doutora em História da Arte pela City University of New York.

No período de 18 a 20 de agosto, o Colóquio será transmitido ao vivo no canal da Faculdade de Comunicação da UnB (FAC/UnB) no YouTube. Ele é aberto ao público de todo o Brasil como um curso de extensão oferecido pela UnB aos participantes inscritos por meio da página do Sistema Integrado de Atividades Acadêmicas (SIGAA) da Universidade.

Também organiza o evento o professor da UCB Rafael Castanheira, doutor em Comunicação pela UnB. Junto à professora Dobal, ele coordena o Grupo de Pesquisa Narrativas e Experimentações Visuais, certificado pelo CNPq. O grupo se reúne há dois anos para estudar e refletir sobre suas pesquisas, e o Colóquio é uma das atividades de incentivo à difusão do conhecimento sobre como funcionam as imagens.

A programação completa também reúne pesquisadores de universidades locais, nacionais, tais como UFRJ, UFMG, PUC-GO, UFC e UNIFESP; e de outras internacionais, a saber: University of Vienna e Boston College. Na transmissão, haverá tradução simultânea durante as palestras ministradas por estrangeiros. Interessados podem conferir os portfólios dos palestrantes na página feita para o evento.

Os temas específicos foram selecionados a partir do trabalho de autores que refletem sobre a “noção de paisagem em diferentes mídias”, explica o professor Castanheira. A questão de como a cultura visual influencia o meio ambiente também motivou as escolhas dos assuntos, contou a professora Dobal. Sendo assim, houve o esforço para reunir pesquisadores que também “dessem conta das transformações pelas quais passou o gênero da paisagem”, diz ela, desde a pintura até a arte contemporânea. 

O professor Castanheira acrescenta que “a relação com a atualidade fez com que, em boa parte da produção, o gênero da paisagem levantasse temas referentes tanto ao espaço ao redor quanto questões estéticas, fazendo surgir novas maneiras de representar e pensar a paisagem.” Além disso, serão exploradas as “diferentes possibilidades de construção de narrativa com imagens de paisagens”, para além da definição geográfica.

Um dos palestrantes é o professor  Lourenço Cardoso, mestre em Comunicação na linha de imagem e som pela UnB e pesquisador da área de fotojornalismo e fotografia documental. No dia 20, ele apresentará a análise do Prêmio Olhar Brasília de Fotografia de 2019, do qual foi jurado, e que teve como tema “a beleza de uma capital que se revela”. A proposta do professor Cardoso é identificar o modo como as imagens inscritas no concurso produzem diferentes significados sobre uma mesma cidade a partir do olhar popular.

Segundo o professor Cardoso, há “muitas Brasílias que emergem dessas fotografias, há diferentes diálogos propostos, diferentes representações e sentidos”. Portanto, ele achou interessante o Prêmio de 2019 por ser um trabalho que concentra perspectivas diferentes dos já conhecidos produtores de fotografia contemporânea. É um olhar de “pessoas que vivenciam o espaço e fazem dele um espaço singular”. Ele ressalta que trazer um tema sobre Brasília é fundamental para o Colóquio, sendo que é sediado na cidade.

Haverá, também, projeção do filme Wolff em Composição, de Ernesto Grosman, diretor argentino que vive em Boston. A obra é sobre o compositor de vanguarda Christian Wolff, que fez parte do círculo artístico de John Cage, compositor estadunidense do século XX. A exibição está marcada para o dia 19, às 19h30, no canal da FAC/UnB.

Devido a situação de pandemia, os organizadores construíram todo o evento na modalidade remota, mas de forma dinâmica. Ao longo dos dias, haverá cinco mesas redondas e as palestras terão 20 minutos de duração, seguidas de cerca de 1 hora para os debates. Os participantes inscritos receberão um certificado ao fim do evento, mas as vagas são limitadas a 95 pessoas, e mais da metade delas já estão preenchidas. É necessário estar presente em pelo menos 75% dos debates para receber o certificado, que será emitido pelo Departamento de Extensão da UnB.

A primeira edição do Colóquio ocorreu em 2013 sob coordenação da professora Dobal e do professor Osmar Gonçalves da Universidade Federal do Ceará (UFC). Na época, a abertura esteve a cargo do pesquisador e escritor francês André Rouillé, autor de Fotografia: entre documento e arte contemporânea. Os organizadores compilaram os trabalhos daquela edição no livro Fotografia Contemporânea – Fronteiras e Transgressões. O evento de 2021 também terá, posteriormente, um livro com os artigos apresentados, publicado pela Editora da FAC/UnB.

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