Crônica: Viva o SUS

Por Raphaela Peixoto

Na fila da vacinação hoje, passou um filme na cabeça de Lis, de 18 anos, no qual a fez refletir sobre todo esse período atípico que estamos vivendo. “No início tudo era novo, ainda continua, mas parece que já estamos acostumados, sobretudo, cansados; quem não achou que seriam só 15 dias, né? Mas, infelizmente, já são quase dois anos, então já está tudo monótono e enjoativo.”- ela pensou.

A cada passo que dava na fila, mais o seu coração acelerava, já era comum ela ter  essas crises de ansiedade, pois durante a quarentena, Lis desenvolveu crises de ansiedade que muitas vezes lhe geraram insônia e  compulsão alimentar. Alguns dias, quando ela ficava muito ansiosa, não conseguia nem  assistir ao Jornal Nacional, pois aquele desespero, como foi em Manaus, a deixava  mais aflita. Ainda bem que, agora, esse anseio é para tomar não só um imunizante, que vai ser o que estiver disponível, mas também uma dose de esperança.

Lembrou o tempo todo de sua avó, que havia perdido em março  deste ano, pois havia morrido de Covid-19. “Se tivesse um ritmo de vacinação mais acelerado no início do ano, ao invés de negar diversos e-mails da Pfizer, minha nona estaria viva.” Ela nunca irá se conformar com essa situação, por isso  sempre esteve presente nas manifestações contrárias ao atual presidente, ocorridas em Brasília. Em todas, Lis levava um cartaz com os dizeres “Impeachment nesse genocida”, mesma frase que estava escrita na blusa em que vestia no dia que foi tomar a vacina. 

Depois de alguns minutos, finalmente chegou a sua vez na fila. Quando a enfermeira gritou “próximo”, imediatamente, as mãos de Lis começaram a suar, os olhos lacrimejaram de tanta emoção. Após aquela picadinha de abelha, como sua mãe dizia quando era criança, continuará, obviamente, a seguir as medidas sanitárias, como o uso de máscaras e distanciamento físico. Em novembro ela retorna ao posto drive thru do parque da Cidade para completar sua imunização, pois ela sabe que ambas as doses são essenciais para retornar à vida de antes da Covid-19.

Imagem: pixabay

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