A mulher negra na cultura local

Cristiane Sobral é uma atriz, escritora, dramaturga e poetisa brasileira. Ela nasceu no bairro Coqueiros, no Rio de Janeiro, em 1974. Há 21 anos ela se graduou como a primeira mulher negra em artes cênicas na Universidade de Brasília. Atualmente, Cristiane vive no Distrito Federal. Ela estará presente no 1º Sarau das Sebastianas.

Confira a entrevista:

  • Por que decidiu sair do Rio de Janeiro e vir para Brasília em 1990?

“Em busca de oportunidades de crescimento pessoal, profissional e de estudo.”

  • A senhora estará no 1º Sarau das Sebastianas apresentando poesia. Qual de suas obras foi a escolhida para o dia?

“O meu nono e novo livro de poesia, Dona dos Ventos, lançado em 2019.”

  • Começou a se aventurar na literatura nos anos 2000. Como essa história começou?

“Comecei a publicar na antologia de autores negros “Cadernos Negros”, de SP. Foi nos Cadernos Negros 23, poesia, Quilombhoje.

A série Cadernos Negros é parte da história cultural da afrodescendência no Brasil desde o primeiro número, lançado em 1978, quando este inscreve na apresentação a necessidade de “renascer” e “limpar o espírito”; de “arrancar as máscaras brancas” e “pôr fim à imitação”; de denunciar a “lavagem cerebral” e a “poluição das mentes”; necessidade ainda de “assumir a negrura bela e forte” e a “legítima defesa dos valores do povo negro”. E mais: “Cadernos Negros é a viva imagem da África em nosso continente. É a Diáspora Negra dizendo que sobreviveu e sobreviverá, superando as cicatrizes que assinalaram sua dramática trajetória, trazendo em suas mãos o livro”.

Essa vinculação umbilical entre literatura e história consagra o verso e a prosa como meios de expressão negra e, nesse sentido, também como instrumento retórico e político de uma consciência étnica e cultural. A “negritude posta em poesia” quer, portanto, ser parte de uma luta – “a luta contra a exploração social em todos os níveis”. E, nesse sentido, compreende a poesia como “verdade” e “testemunha do nosso tempo”.

Comecei a publicar nesse coletivo de autores negros, parti para SP em busca de uma construção poética, de uma construção da minha identidade, do encontro da minha subjetividade e o trabalho do grupo foi um grande portal de descobertas.”

  • Qual a importância de se criar um evento feito exclusivamente para valorizar a produção literária feminina?

“Dar protagonismo e visibilidade, além de fortalecer a cadeia produtiva do setor e possibilitar a sobrevivência e difusão das produções femininas no contexto do Distrito Federal.”

  • Como atriz e dramaturga, você diria que essas especializações influenciam na produção de seus poemas, contos e de suas crônicas? De que forma?

“Impossível não imprimir o que somos naquilo que escrevemos. É fundamental nesse sentido contar com o ponto de vista de mulheres negras e periféricas no contexto da produção literária brasileira, apresentando a sua produção e concepção ficcional, além dos estereótipos normalmente difundidos em nossa sociedade.”

Por Mariana Albernaz

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