Jovens lidam com problemas de saúde mental

Estudantes sofrem cada vez mais com transtornos, como depressão e ansiedade, que se agravam com a rotina da vida acadêmica.

Foto: The People Speak!/ Flickr

Estamos no mês de celebração do Dia da Psicóloga e do Psicólogo, comemorado em 27 de agosto (data de publicação da Lei 4.119/62 que regulamentou a profissão de psicóloga (o) no Brasil), em homenagem aos 57 anos da profissão no país. A psicologia é uma ciência que trata dos estados e processos mentais, do comportamento do ser humano e de suas interações com um ambiente físico e social. Segundo dados do site do Conselho Federal de Psicologia (CFP), o Distrito Federal é a 9ª região com o maior número de psicólogos.

Tabela construída com dados do CFP

Desde novembro de 2017, uma comissão instituída pela Reitoria da Universidade de Brasília (UnB) tem trabalhado na elaboração de uma política institucional de saúde mental e qualidade de vida. As ações têm como base um mapeamento dos casos de sofrimento psicossocial na comunidade acadêmica nos últimos anos, e a identificação de fatores que contribuem para a ocorrência.

A ideia é estabelecer uma porta de entrada para onde deverão ser direcionadas as pessoas que necessitam de acolhimento e atendimento em saúde mental. Além disso, técnicos, professores e coordenadores de curso serão capacitados para identificarem situações problemáticas. O Centro de Atendimento e Estudos Psicológicos (Caep) da UnB realiza o máximo de 264 atendimentos por dia. Este dado revela que existem muitos alunos com a necessidade do acompanhamento psicológico (mas nem sempre o procuram ou o encontram). 

Especialistas afirmam que o ambiente acadêmico se torna um gatilho para quem tem predisposição a ter problemas psicológicos, e essa realidade não é exclusiva dos tempos atuais. Fatores decorrentes do estilo de vida que os estudantes têm que adotar depois de ingressar no ensino superior podem explicar o sofrimento psíquico. A falta de apoio e compreensão da família do jovem doente também contribui para que seu estado piore.

Uma pesquisa realizada em 2014 e divulgada em 2016 pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que analisou mais de 900 mil estudantes de todo o Brasil, constatou que estudantes mulheres procuram mais atendimento psicológico do que os estudantes homens. Além disso, percebeu-se que o maior número de alunos em atendimento psicológico está nessa condição há mais de um ano e não faz uso de medicamentos, embora já tenha feito anteriormente.

Fabiana* está no ensino superior e toma medicamento para ansiedade, causada pelas pressões da universidade. Seus sintomas não são novos, pois ela tem crises desde 2014, quando ainda estava na escola. Naquela época ela fez acompanhamento psicológico e psiquiátrico, com auxílio de remédios. Recebeu alta após dois anos de tratamento, ficou bem por cerca de um ano e meio, mas acabou precisando novamente de ajuda após certo tempo na faculdade. 

Histórias como a de Fabiana* se repetem pelo Distrito Federal, até porque quem possui predisposição para doenças psicológicas tende a sofrer com a rotina do ensino superior e a lidar com depressão, ansiedade, fobias e outros. Além do mais, relatos de casos de suicídio decorrentes da angústia com a graduação têm sido recorrentes nas redes sociais. 

Tudo isso combinado acende a luz vermelha na questão de preocupação com saúde mental dos jovens adultos no ensino superior. Há a necessidade de atendimento dentro das próprias instituições, que tem sido acolhida, por exemplo, na Universidade Católica de Brasília e, como citado anteriormente, na UnB. É preciso um olhar mais cauteloso sobre o assunto. 

*Nome fictício para preservação de identidade. 

Por Mariana Albernaz 

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