A Câmara dos Deputados e a preocupação com a alimentação das crianças

Foto: Banco de Imagens

Atualmente, há 31 projetos de lei na Câmara dos Deputados que falam sobre alimentação saudável, educação alimentar, limites para a publicidade infantil e a importância de informações claras nos rótulos dos alimentos vendidos nos supermercados. Isso porque alimentos ultraprocessados têm ampla publicidade e pouca informação. Por esse motivo, foram criados projetos de lei que tentam definir limites.

Existem algumas propostas que buscam mais equilíbrio no mercado alimentar, dando a chance de produtores locais, por exemplo, competirem com grandes marcas na mesa do brasileiro. Porém, a situação é complicada, visto que grandes marcas e produtos industrializados conseguem chamar mais a atenção dos consumidores. 

Mas, só com as informações corretas, é que o brasileiro terá a opção de escolher entre o alimento industrializado e o in natura. O Projeto de Lei (PL) 4.117/2019, por exemplo, torna obrigatória a mensagem de risco de obesidade infantil em cardápios de restaurantes e similares. O PL 4.116/2019, por sua vez, restringe a publicidade infantil de alimentos e bebidas pobres em nutrientes e tramita junto com o PL 4.815/2019, que “veda a comercialização de brinquedos acompanhados de lanches”, prática comum em lanchonetes e fast foods.

No entanto, Paula Belmonte, deputada federal pelo DF e vice-líder do Partido Cidadania (antigo PPS), admitiu ao Correio Braziliense que o lobby da indústria de alimentos ultraprocessados, apontados por especialistas como principais responsáveis pela epidemia de obesidade no mundo, é forte no Legislativo. “Temos algumas frentes parlamentares pela alimentação saudável, para debater a obesidade infantil, e também a respeito de diabetes. O que eu percebo é que existem projetos de lei prontos para serem votados. Mas, a indústria, com certeza e infelizmente, tem uma participação muito forte”, lamentou a parlamentar.  

Segundo ela, o país garante subsídio de R$ 6 bilhões por ano, na Zona Franca de Manaus (AM), para a indústria de refrigerantes. Isso significa que estamos subsidiando este cenário. Ou seja, caso não mudem a atitude de financiar os produtos industrializados, como o macarrão instantâneo, os sucos de caixinha, o nuggets de frango, algumas marcas de pães de forma, o hambúrguer, os congelados e outros, enfrentaremos um futuro com uma saúde deficiente. 

A Câmara tem uma audiência pública com data prevista para 26 de setembro, para discutir a importância de selos de alerta nas embalagens de produtos industrializados nos supermercados. No entanto, outros projetos ocupam muito tempo na pauta, como as reformas da Previdência e administrativa, que tornam mais lenta a tramitação dos projetos que visam combater a epidemia de obesidade.

Adultos

Um dos números apresentados pelo Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef), mostra a relação da obesidade na infância e adolescência com a vida adulta. De acordo com os dados, crianças obesas aos dois anos têm 75% de chance de permanecerem assim aos 35 anos. A taxa é ainda mais alta quando se olha para os adolescentes. Jovens obesos aos 19 anos têm 89% de chance de terem excesso de peso na vida adulta. 

Outros dados revelam que os primeiros dois anos de vida são essenciais para a conquista de uma alimentação saudável do indivíduo no futuro. Logo, os números expostos por pesquisadores mostram que há pouca chance de crianças já obesas se livrarem da doença na vida adulta. Por isso, falar sobre a obesidade infantil vem sendo cada vez mais necessário na atual sociedade e assume caráter preventivo. 

Por Mariana Albernaz 

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