Caos e insatisfação no transporte público de Brasília

Registrou-se uma diminuição nos últimos dois anos com relação ao uso do transporte público na capital, segundo o DFTrans. A falta de cuidado com os veículos provoca aborrecimentos dos passageiros diariamente.

Carol Castro

Uma pesquisa feita pela Codeplan aponta que o número de automóveis por residência não para de crescer. Segundo dados, entre 2004 e 2015 o percentual subiu de 51,7% para 66,8% e o número de usuários do transporte público diminuiu nos últimos 2 anos, de acordo com o DFTrans.

Hoje, na estação rodoviária do Plano Piloto, apesar do número de usuários de ônibus ter diminuído, mais de 300 mil pessoas circulam diariamente. A aglomeração provoca aborrecimentos nos horários de pico, com passageiros reclamando da superlotação e falta de cuidado com os veículos.  As falhas no transporte coletivo deixam em evidência a fragilidade desse setor.

Causas

Tarifas caras, longos períodos de espera, falta de clareza nos horários e até a necessidade de se realizar várias viagens para se chegar ao destino final: esses e outros transtornos são as principais causas para a deficiência no setor de transporte público do Distrito Federal.

A passagem é cara. O transporte, não vale a pena. Você precisa gastar uns R$20 reais por dia só de passagem dependendo do lugar para onde precisa ir. É por essas e outras que prefiro dividir o UBER com um amigo. Quase o mesmo preço. ” conta Luana Pinto Garcia Jacuru, 22, enfermeira.

Para se ter ideia, das muitas queixas feitas pela população ao órgão no ano passado, mais de 20.000 foram sobre o Passe Livre Estudantil, líder no ranking de reclamações. Entre as cinco primeiras, as outras duas maiores reclamações são relacionadas a conduta dos motoristas de ônibus e ao descumprimento da tabela horária dos coletivos.

Legislação

Como previsto no capítulo 1 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), os órgãos e entidades componentes do Sistema Nacional de Trânsito deveriam responder, no âmbito das respectivas competências, objetivamente, por danos causados aos cidadãos em virtude de ação, omissão ou erro na execução e manutenção de programas, projetos e serviços que garantam o exercício do direito do transporte seguro. No entanto, a falta de fiscalização do governo não tem ajudado na aplicação de tal medida.

Consequências

No Pistão Sul, em Taguatinga, onde deveria estar um local para dar o mínimo de conforto aos passageiros, o que se vê em frente a um hotel, entre a pista principal e uma marginal, é um arranjo um tanto quanto rústico com telhas de plástico e pintura feita a mão. Também em Taguatinga, na Avenida Samdu, assaltos são um problema nas paradas de ônibus.

De acordo com o mestre em Engenharia de Transportes e doutor em estudos nessa área, Paulo César Marques Silva, tais condições encontradas pelos passageiros podem fazer com que deixem de frequentar o sistema público: “É o tipo de coisa que contribui para que as pessoas fujam do sistema público. Isso faz com que elas procurem o carro ou outras opções para se locomover”, alerta.

Como se não fosse o bastante, os transtornos também colocaram o transporte público do DF entre os 10 piores do mundo, como revela um estudo realizado em 2018 pelo Expert Market, instituto de pesquisa americano. O instituto afirma que a pesquisa foi realizada com base em indicadores como tempo de espera para embarque, tempo de viagem, custo mensal para transporte com base no salário médio da população, baldeações e distância total.

Dados fornecidos pelo site “Diário do transporte” a partir do estudo feito pelo Expert Market.

Combate

Em janeiro de 2018, a Secretaria de Mobilidade do Distrito Federal (Semob) lançou o aplicativo +Ônibus Brasília, que divulga em tempo real a linha e o horário dos ônibus na capital. No entanto, tal medida não foi aprovada pelos usuários do transporte público na cidade.

Há quem reclame das esperas mais longas do que o tempo indicado para a chegada do coletivo e a falta de detalhes sobre as linhas. A usabilidade também é criticada, enquanto outros cobram um canal para denúncias sobre o descumprimento de horários e envio de sugestões. A falta de legendas para os botões e a pesquisa pelo nome do ponto também foram alvo de reclamações.

Ibaneis Rocha, atual governador do Distrito Federal, anunciou na terça-feira (05/02/2019) que o sistema de bilhetagem do transporte público passará a ser administrado pelo Banco de Brasília (BRB), e não mais pelo DFTrans. Nos últimos dois meses, um pente-fino realizado pelo órgão descobriu indícios de fraudes em 27.727 cartões, que foram bloqueados preventivamente. Ainda segundo o DFTrans, o prejuízo gira em torno de R$8,5 milhões por mês, podendo chegar a totalizar R$100 milhões. Para o governador, a gestão da bilhetagem pelo BRB vai aumentar a fiscalização do uso dos cartões de vale-transporte e diminuir a incidência de fraudes.

Ainda segundo Ibaneis, os cartões poderão ser administrados pelos usuários por meio de aplicativo de celular. Além disso, serão 156 lojas de conveniências mais as agências bancárias para atender a população.

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